terça-feira, 14 de outubro de 2014

Crônica - Lucas Faxina

O VEXAME BRASILEIRO
   O grande dia chegou. Acordo entusiasmado. Jovialmente sento-me na mesa para tomar café. Café? O intuito de que naquele dia iria ver estrelas brasileiras e alemães, não me proporcionava tomar café, mas sim champanhe, mas me contentei com a simples e deliciosa xícara que minha mãe havia me preparado naquela manhã.
   Penteando meu cabelo, estilo Cristiano Ronaldo vejo-me atrasado para pegar o ônibus rumo à felicidade. Sento-me nos primeiros bancos. Inquieto, observo carros e mais carros passando lentamente em alta velocidade. Mas depois de algumas horas deixo-me vencer pelo cansaço e pela sensação de estar voando entre as nuvens.
   Acordo levemente avistando o palco da semifinal. Com o olhar alarmante deparo-me com um mar amarelo em frente ao Mineirão. Assustado, grudo-me em meu pai como um gato em dia de banho. Ao passar pela catraca vejo-me em um mundo completamente diferente. Naquele momento, eu respirava futebol e soltava entusiasmo para que o espetáculo começasse logo.
   O auge ainda estava por vir, quando avistei naquele pequeno espaço onde estávamos, os jogadores entrando em campo, e em seguida “gritarem” o hino nacional, nesse momento deixei-me levar pela emoção, não sabia se chorava, ou se gravava aquela orquestra amarela “soltando” os pulmões e terminando com um ar satisfatório:
  “Dos filhos desse solo és mãe gentil, pátria amada Brasil”.
   Pronto. A torcida já tinha feito sua parte.
   Mas o que estava por vir era enigmático. Como o Brasil? A nossa seleção brasileira? Ou melhor, como a seleção alemã pôde ter feito aquilo? Cinco gols no primeiro tempo! E sete ao final da partida!
   Fomos embora antes mesmo do juiz apitar o fim da partida. Entrei no ônibus e me pus a chorar. Meu pai, sem respostas tentava me acalmar. Esperamos todos voltarem para retornarmos a nossa partida rumo a Dois Córregos.
   Ao sair de Belo Horizonte, ouvia-se os cochichos em cada banco que se passava. Agora, sentado em um banco sozinho, não queria falar com ninguém, simplesmente coloquei os fones de ouvido e, refletindo pensei: “Acontecimentos bons, ou ruins, mas essa sim foi a Copa das Copas. 

      

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Crônica - Giovana Bertoloto

O terminal de sonhos


É tão estranho assim ter um sonho de terminal? Você deve estar se perguntando como assim ter um sonho de terminal? Estava eu em um terminal de ônibus comum que toda cidade deve ter e comecei a me deparar com algumas situações,todos os dias via pessoas diferentes subindo e descendo em ônibus iguais,com sonhos iguais e conclui-se que essas pessoas não estão ali só por estarem,elas não viajam todos os dias só por viajarem,concluí-se que elas viajam todos os dias em busca dos seus sonhos. Pessoas frias,tristes,felizes, que espalham amor,pessoas que mal sabem que são pessoas,mas que já começam ali a construção de um sonho.
     Comecei observar constantemente as pessoas que viviam ali e vi que pessoas de sonhos iguais,pegavam ônibus iguais e nunca se falavam,existia pessoas que falava tão alto que quase todo terminal ouvia que ela só estava ali em busca dos seus sonhos,outras ficavam tão quietas que nem parecia terem sonhos.
     E que sonhos são esses? "A casa própria,o carro zero,o certificado na faculdade,o sucesso na vida." Sonhos que para alguns parece ser banal,já para outros são tão importantes quanto a própria vida.
    Em meados de 2013 houve algo que parou todo terminal,o governo queria que aumentasse as tarifas de ônibus,eis que então surge o começo de uma revolução. O Brasil todo parou e foi para as ruas manifestar por seus direitos,caras pintadas,cartazes para todos os lados,eu estava lá e futuramente contarei para minhas gerações que participei de uma revolução que teve resultados que a união daquelas pessoas fez com que a tarifa não subisse. E foi possível perceber que aquelas pessoas não estavam ali pelo fato da tarifa ter aumentado,mas pelos sonhos que morreriam ali nas ruas,ou nos terminais. "Realmente não foi por 3,20 e sim por alguns sonhos."
       Quem pudesse continuaria todos os dias indo para o terminal,subindo no mesmo ônibus e indo atrás de seus sonhos. E quem não pudesse teria que se ajeitar e aceitar a realidade de que mais um sonho morreria.
      Todos os dias eu vejo o sobe e desce daquelas pessoas o vai e vem dos ônibus e a certeza no rosto de cada um de que mais uma construção está sendo feita para que esse sonho possa se tornar real.
       E você caro leitor ? Em que terminal ou qual plataforma mora o seu sonho ? 

Crônica - Giovana Bertoloto

O terminal de sonhos


É tão estranho assim ter um sonho de terminal? Você deve estar se perguntando como assim ter um sonho de terminal? Estava eu em um terminal de ônibus comum que toda cidade deve ter e comecei a me deparar com algumas situações,todos os dias via pessoas diferentes subindo e descendo em ônibus iguais,com sonhos iguais e conclui-se que essas pessoas não estão ali só por estarem,elas não viajam todos os dias só por viajarem,concluí-se que elas viajam todos os dias em busca dos seus sonhos. Pessoas frias,tristes,felizes, que espalham amor,pessoas que mal sabem que são pessoas,mas que já começam ali a construção de um sonho.
     Comecei observar constantemente as pessoas que viviam ali e vi que pessoas de sonhos iguais,pegavam ônibus iguais e nunca se falavam,existia pessoas que falava tão alto que quase todo terminal ouvia que ela só estava ali em busca dos seus sonhos,outras ficavam tão quietas que nem parecia terem sonhos.
     E que sonhos são esses? "A casa própria,o carro zero,o certificado na faculdade,o sucesso na vida." Sonhos que para alguns parece ser banal,já para outros são tão importantes quanto a própria vida.
    Em meados de 2013 houve algo que parou todo terminal,o governo queria que aumentasse as tarifas de ônibus,eis que então surge o começo de uma revolução. O Brasil todo parou e foi para as ruas manifestar por seus direitos,caras pintadas,cartazes para todos os lados,eu estava lá e futuramente contarei para minhas gerações que participei de uma revolução que teve resultados que a união daquelas pessoas fez com que a tarifa não subisse. E foi possível perceber que aquelas pessoas não estavam ali pelo fato da tarifa ter aumentado,mas pelos sonhos que morreriam ali nas ruas,ou nos terminais. "Realmente não foi por 3,20 e sim por alguns sonhos."
       Quem pudesse continuaria todos os dias indo para o terminal,subindo no mesmo ônibus e indo atrás de seus sonhos. E quem não pudesse teria que se ajeitar e aceitar a realidade de que mais um sonho morreria.
      Todos os dias eu vejo o sobe e desce daquelas pessoas o vai e vem dos ônibus e a certeza no rosto de cada um de que mais uma construção está sendo feita para que esse sonho possa se tornar real.
       E você caro leitor ? Em que terminal ou qual plataforma mora o seu sonho ? 
    

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Francine Oliveira

O morador de rua 

        Era aproximadamente nove e meia da noite, eu estava com uns amigos e umas amigas, em frente a praça de uma igreja, quando vimos um homem, aparentemente de meia idade, peregrinando pela praça com um olhar vazio e desperançoso. Ele estava pedindo alimento para as pessoas que ali estavam, no qual grande parte que passavam por ele viravam o rosto ou simplesmente desviavam o caminho. Ele, por sua vez, agradecia verdadeiramente cada uma daquelas pessoas que diziam não ter nada ou que o ignoravam e pedia para que Deus os abençoasse. Ele se dirigiu ao grupo de pessoas em que eu me encontrava, pedindo alimento. Nós dissemos a ele que fosse conosco comprar algo em uma lanchonete ali perto, porém ele se recusou, alegando que temia que alguém roubasse seus pertences que estavam naquela praça. Nós então dissemos que alguns de nós ficaria para cuidar de seus pertences enquanto ele ia com outros comprar o alimento, e nos levou ao local que estavam suas coisas, para que eu e algumas amigas ficássemos no local. O que ali estava era um papelão e algumas mantas velhas, o que para nós são objetos insignificantes, para ele era algo muito valioso, pois era tudo o que tinha. Quando dissemos a ele que iria de carro até a lanchonete, seus olhos se encheram de lágrimas, pois relatou que utilizou automóveis poucas vezes em sua vida.
       O senhor retornou com duas sacolas de lanche nas mãos e um sorriso que estampava sua alma. Ele nos contou um pouco de sua história, de como era sua vida na rua e de como queria aprender a rezar o pai nosso. Na hora de irmos embora, demos-lhe algumas de nossas peças de roupas, como meias e cachecóis que usávamos, pois sabíamos que ele as utilizaria muito mais que nós. Ele, com os olhos transbordando de lágrimas, nos agradeceu milhares de vezes, abraçou cada um de nós e disse que depois de todos aqueles abraços e por ter nos conhecido, ele já tinha ganhado o dia.
       Quando retornei para casa, li uma citação que me emocionou muito. "Esse tem o céu como teto e as estrelas como consolação. No entanto, nem todos os dias o céu estava estrelado. Às vezes o céu que o protegia tornava-se nublado e carregado de nuvens cinzentas. Isso era só um de seus martírios. Pois este peregrino não tinha como se proteger de muitas das águas que invadiam seu lar a céu aberto." Esse senhor veio com a intenção de ser ajudado e por fim foi ele que nos ajudou. Ajudou-nos a sermos pessoas melhores e vermos a vida como de fato ela é.  
        Quantos de nós olhamos essas pessoas sem lar, como seres humanos e não como simples lixos na calçada? Quantos de nós agradecemos tudo o que temos todos os dias? Agradecemos e damos valor ao nosso pão quentinho de todas as manhãs e a nossa cama aconchegante todas as noites? Agradecer muito mais do que reclamar é extremamente necessário, pois há quem tem tudo e passa o dia reclamando, mas há também que não tem nada e agradecer até por um olhar de gentileza. Repensar em cada atitude nossa e nos fazer casa de sentimentos bons.

"As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz." - Machado de Assis.

Conto- João Victor

Chamada Perdida

Quando o celular tocar, quando o celular tocar, quando o celular tocar... Estou confusa, entorpecida, me perdendo em gemidos e prazeres. Acima de mim está um homem encapuzado, não tenho a mínima noção de quem possa ser.
Atrás dele uma luz fraca, mas o suficiente para me localizar. Um quarto, uma cama de casal, roupas jogadas pelo chão, uma mesinha, e em cima há um celular, uma navalha e um pino contendo droga provavelmente.
Entre os gemidos e suspiros, uma luz vem da mesinha, o celular, vibrando e tocando. Imediatamente uma mão passa pela luz, que, ao invés de pegar o celular, pega a navalha.
Ainda dentro de mim, levanta a navalha, o celular para de tocar e na tela uma mensagem: Uma chamada Perdida... Essa é a unia coisa que vejo antes de morrer. E no meu ultimo suspiro de vida, ouço a voz do meu assassino e amante dizer: Promessa cumprida. Morta quando o celular tocar.


Banhado pela Morte


No banho estou, pensando na vida e nos meus problemas. O telefone toca, será que é meu amor? Não sei, morro antes de atender, e, tenho certeza que hoje fui banhado pela morte.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Conto: Linguagem dos Olhos



Já é manhã, o sol está rachando no horizonte, a janela está aberta – escancarada  - a porta do banheiro está aberta, escuto uma cantoria, música conhecida, algo relacionado a: “ Quando o vidro embaçar e você vier pra me abraçar, quando o sol se esconder , vê se você para pra entender, que eu fui e sempre serei, um bobo apaixonado por você..” Uma voz de mulher, roupas no chão.
Um cheiro embarga meu quarto, sento na cama e de frente tem meu espelho, paro. Arrumo meu cabelo. Coço a barba e visto meus shorts. Espirro aquele perfume que toda mulher gosta. Meu cheiro sobrepõe o feminino. Vou até o banheiro e vejo aquela bela mulher no banho e reparo em cada gota de água que desliza pelo seu corpo, reparo nas espumas em volta de suas coxas. O que ela estava fazendo ali? Quem era ela? Pego uma bolsa em cima da cama, alguns documentos. Lisa Bering, belos olhos verdes, chamativos, sedutores. 
“Papai?” “Papai, onde você está?”... “Aqui minha filha, volte para o quarto...”. Levo-a até seu quarto e a deito. No caminho de volta pego minha chave de fenda e uma toalha. Tranco a porta do quarto. Entro no banheiro. Ela me olha e sorri. Miro seu belo corpo e derrubo-o em socos e ponta pés, ela grita, mas é em vão, até que ela para de se mexer. Com minha chave de fenda, perfuro a parte de trás de seus olhos e arranco seus dois globos oculares, os mergulho em um líquido preparado, os embalsama e os guardo separado em vidros como fazem com escorpiões, desovo seu corpo em uma vala qualquer e termino com sua agonia com um tiro silencioso em seu peito. 
Minha filha é cega, tem 8 anos, não posso devolver sua vista, ela foi perdida quando um cara deu um tiro e pegou no vidro e seus estilhaços atingiram seus belos olhos castanhos, mas posso dar-lhe os olhos que perdeu. Tenho uma coleção, verdes, azuis, castanhos, pretos e até com lentes violetas. Espero o dia em que possamos encaixa-los em seu belo rosto. 
Dizem que os olhos são o espelho da alma, nos olhos dessa mulher eu vi espelhado o medo e o terror, mas bem no fundo, atrás de mim via a minha filha, ela perguntava sempre o que eram os gritos e eu apenas respondia: “Um dia você poderá ver!”. 




Por: Ana Laura Abdullatif

A vida



Eu aqui de novo...
Minha vida está muito parada
Moro dentro de um ovo
Que não dá pra fazer nada

Aceito um romance bom para ler
Que não seja melancólico por favor
Quero o livro apenas para ver
E saborear com os olhos seu sabor

Vivo apenas jogando
Comendo em cima da mesa
Minha vida está acabando
Será que vai ter sobremesa




Sabrina G. Martins

Um Único Motivo


Eu ando me perguntando
Onde anda aquele Amor
Onde anda o Carinho
Esteve sempre me amando
Será que vai me deixar sozinho?


Se tudo isso acabar
E meu coração partir
Vou perder tudo que tenho
e nunca mais vou me pôr a sorrir


Você sempre foi o motivo
isso é muito ruim e sinto muita dor
que não sara com curativo
Mas só com apenas seu Amor
e se não tiver esse "Amor"
Vira tudo um prejuízo
e eu jamais terei você
que é tudo de que eu preciso


Lucas Coradi