O VEXAME BRASILEIRO
O grande dia chegou. Acordo
entusiasmado. Jovialmente sento-me na mesa para tomar
café. Café? O intuito de que naquele dia iria ver estrelas brasileiras e
alemães, não me proporcionava tomar café, mas sim champanhe, mas me contentei
com a simples e deliciosa xícara que minha mãe havia me preparado naquela
manhã.
Penteando meu cabelo, estilo Cristiano
Ronaldo vejo-me atrasado para pegar o ônibus rumo à felicidade. Sento-me nos
primeiros bancos. Inquieto, observo carros e mais carros passando lentamente em
alta velocidade. Mas depois de algumas horas deixo-me vencer pelo cansaço e
pela sensação de estar voando entre as nuvens.
Acordo levemente avistando o
palco da semifinal. Com o olhar alarmante deparo-me com um mar amarelo em
frente ao Mineirão. Assustado, grudo-me em meu pai como um gato em dia de
banho. Ao passar pela catraca vejo-me em um mundo completamente diferente.
Naquele momento, eu respirava futebol e soltava entusiasmo para que o
espetáculo começasse logo.
O auge ainda estava por vir,
quando avistei naquele pequeno espaço onde estávamos, os jogadores entrando em
campo, e em seguida “gritarem” o hino nacional, nesse momento deixei-me levar
pela emoção, não sabia se chorava, ou se gravava aquela orquestra amarela
“soltando” os pulmões e terminando com um ar satisfatório:
“Dos filhos desse solo és mãe
gentil, pátria amada Brasil”.
Pronto. A torcida já tinha
feito sua parte.
Mas o que estava por vir era
enigmático. Como o Brasil? A nossa seleção brasileira? Ou melhor, como a
seleção alemã pôde ter feito aquilo? Cinco gols no primeiro tempo! E sete ao
final da partida!
Fomos embora antes mesmo do
juiz apitar o fim da partida. Entrei no ônibus e me pus a chorar. Meu pai, sem
respostas tentava me acalmar. Esperamos todos voltarem para retornarmos a nossa
partida rumo a Dois Córregos.
Ao sair de Belo Horizonte,
ouvia-se os cochichos em cada banco que se passava. Agora, sentado em um banco
sozinho, não queria falar com ninguém, simplesmente coloquei os fones de ouvido
e, refletindo pensei: “Acontecimentos bons, ou ruins, mas essa sim foi a Copa
das Copas.
