quarta-feira, 26 de novembro de 2014

EXTRA! EXTRA!!

Kathleen Prudente - texto de opinião


Dilma vence eleição por mais 4 anos de decadência.
E Aécio fica chupando dedo!
EXTRA! EXTRA!!
Polícia prende 2 garotos por tráfico, em vez de lápis, borracha e caderno foram encontrados 0,95g de maconha, a da mais verdinha. Na casa do garoto foram encontradas 125 porções de crack, mas é claro, o do bom. O garoto  foi levado a escola... Mentira!!! Aqui ladrão é ladrão, político é político e traficante é traficante.
EXTRA! EXTRA!!
Sonego metro aponta mais R$ 400 bilhões de impostos sonegados neste ano no mês de outubro. Devemos respeitar este momento de luto, pois este mês será um mês de luto para os “senhores” que ficaram com menos dinheiro na cueca!!
EXTRA! EXTRA!!
Mais dois casos de suspeita de Ebola no Brasil. Mas graças ao nosso bom “Deus” não era Ebola. Por que se fosse! O Brasil estaria fodido. Sim senhor(a), F-O-D-I-D-O!!!
EXTRA! EXTRA!!
São Paulo alaga. E moradores resolvem tomar banho de enxurrada com direito a ponte e mergulhos!!!
EXTRA! EXTRA!!
Bauru tem 17 vereadores, com dois assessores cada um, e não houve apontamento. Segundo os vereadores, seus assessores “trabalham bastante”. Ou seja, coitados lavam chão e limpam privadas...
EXTRA! EXTRA!!
Atenção! Signo de Leão: Mais otimistas. Não terá medo de correr atrás dos planos, no trabalho ou na vida pessoal. Contato com clientes e amigos distantes continua  favorecidos. Há boa chance de se encantar com... Ah! Esqueça isso é furada, não arruma pra cabeça, no final da bosta!
Esse é o nosso Brasil pessoal!!! Palmas!!! Alias, os primeiros habitantes eram ladrões e putas meu caro. O que tu acha que ia da isso aqui?

E o salário. Oh!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O fazedor de amanhecer- Manoel de Barros

Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

BRINCADEIRA SURREAL- Caroline Medeiros

   Sempre tive amigos que ninguém dava a mínima.Eram as pessoas mais diferentes e engraçadas que alguém poderia conhecer, e eram meus amigos, os amigos de Kimberly de dezesseis anos, ou seja, eu.
   Ashley estava sempre de chapéu, batom roxo e meias coloridas, Jeb geralmente estava de sobretudo e com os olhos pretos.Mamãe sempre me dizia para fazer amigos e deixar de andar sozinha, e eu realmente não sabia o porque. Para mim dois amigos eram o suficiente.
   A minha vida toda foi tranquila, ia e vinha da escola para a minha casa, e sempre me encontrava com Ashley e Jeb no caminho de volta.
   No dia em que levei os dois para casa, tudo mudou. Mamãe estava na sala e nós no meu quarto.Depois de algum tempo, Jeb perguntou onde papai guardava a arma, ele era policial e sempre tinha uma em casa, então eu disse que estava na garagem em uma prateleira, Ashley me convenceu a pegar a arma, eu peguei e fomos até a cozinha.
   Jeb me disse que se eu atirasse na minha própria cabeça, nada aconteceria pois eles tinham retirado as balas.Eu acreditei facilmente e com uma risada a peguei e mirei em mim, quando mamãe entrou na cozinha, e em um grito tirou a arma da minha mão, eu disse que estava tudo bem, e que não is acontecer nada, então ela me mostrou que tinha várias balas na arma.
   Com a minha convicção disse a ela que Jeb e Ashley me disseram que não havia nenhuma bala na arma, ela me perguntou do que eu estava falando, então apontei para Jeb e Ashley, e ela me disse que não havia ninguém lá, eu sabendo que era real fiquei sem acreditar no que ela dizia.
   Quando papai chegou, mamãe contou o que havia acontecido, e três dias depois eu estava em um consultório médico.   Fui diagnosticada com esquizofrenia. Eles me disseram que meus únicos amigos eram uma alucinação.
   Depois do diagnóstico, tive que conviver com eles sabendo que faziam parte da minha doença. Fui instruída a ignorá-los, mas eles falavam cada vez mais comigo, e eu os via constantemente. Era oficial, eu estava enlouquecendo.
   Três semanas depois eu acordei e os vi sentados em minha cama. Eles finalmente me convenceram a ir ao parque de diversão.Ao chegarmos vi a montanha russa, eles seguraram as minhas mãos um de cada lado, e então subimos no topo da montanha russa pela escada de manutenção.Quando subi na plataforma, Ashley sussurrou em meu ouvido dizendo para mim ser livre e me jogar de lá de cima que nada de ruim iria acontecer.   Foi então que decidi me entregar a insanidade mental completa.

   Sempre adorei montanha russa. A sensação de queda livre sem me machucar sempre foi incrível.Mas com toda certeza, o melhor de ter me jogado, foi a queda livre sem os cintos me prendendo, a sensação de finalmente não ser presa por médicos me lembrando da minha doença. E mediante a tudo na minha morte, pela primeira vez, eu me senti livre, e senti na pele a sensação de voar com Ashley e Jeb ao meu lado, mesmo que seja - e foi- para a imensidão que separa a vida da morte.  

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A bailarina - Ana Laura Abdullatif

A bailarina

Os leitos eram cheio de pessoas tristes, rancorosas e sem esperanças de vida, pessoas loucas. Alguns até recorriam a psiquiatras, mas era inútil, eles não poderiam simplesmente dizer: " isso vai passar, é só uma fase ruim." afinal a fase ruim era pra sempre. E foi dentro desses leitos que conheci Lis, ela estava em uma sala separada, tinha a imunidade baixa, e ela era louca, ela estava lá pelas vezes que tentou matar seus pais e amigos que a cercavam e, pelo seu comportamento estranho, a família decidiu interná-la mesmo eu sendo enfermeiro confesso q nunca parei para ler a ficha de Lis, mas passava horas a observando, vendo cada detalhe do seu rosto e das pessoas que iam visitá-la.
Em meio às visitas, descobri um pouco de sua vida. Lis tinha seus 30 e poucos anos, morava com seu marido e era uma bailarina, recebia sapatilhas e rosas de alguns numerosos fãs. Lis lia as cartas e jogava fora, colocava as sapatilha, tirava o soro e ali mesmo rodopiava, dançava como uma borboleta ao vento, erguia os braços, saltitava e às vezes até caía, era contra as normas eu ver a paciente e não fazer nada pra que ela ficasse em repouso, mas não podia deixar de olha, eu não conseguia parar de olhar, era tão lindo, os seus passos conduziam até a mais simples alma que a visse dançando, Lis não dançava apenas com o corpo mais sim com a alma. Seu corpo seguia freneticamente a música que ela cantarolava sem parar, que até o ultimo leito os pacientes ouviam. E depois de cantarolar essa linda melodia apenas com as notas "lá", Lis se enfurecia, tirava as sapatilhas e as atirava longe.
Um dia soube que Lis havia sido uma grande bailarina, mas pelo seu fracasso Lis enlouqueceu, em uma competição pela qual errou um passo, o passo decisivo, o que a levaria até a vitória. A partir disso, ela desistiu. Tentou suicídio algumas vezes e tentou matar seus familiares também, ela era sádica, alguns dizem que Lis engravidou e com a ponta de um cabide furou a placenta e induziu ao parto seu bebê de 6 meses, pois não conseguia mais esconder a barriga, e se resolvesse ter a criança, talvez seria o término de sua carreira. Lis enlouqueceu. E esse foi o motivo que a trouxe a esse hospital psiquiátrico.
Depois de alguns breves 8 meses internada, Lis desenvolveu uma gravidez psicológica, na qual imaginava um bebê, e às vezes toda despenteada balançava aquela boneca. Logo após 9 meses do o" nascimento " da suposta criança, Lis voltou a dançar bela e deslumbrante, mesmo louca, ela era linda e depois de algum tempo ela se enforcou com o fita da sapatilha, e deixou algo escrito como " façam ele parar de chorar ". Até hoje alguns enfermeiros dizem que escutam Lis cantar no corredor aquela linda melodia, uns dizem que escutam uma criança chorar que lembram de Lis rodopiar e que a ainda a veem saltitando. Mal sabem eles que ela ainda dança entre nós, porém Lis procura ser discreta. Várias vezes a vi rodopiando por ai, no cemitério, na clínica ate no supermercado, mas Lis nunca para de dançar. E toda vez que passa em frente ao espetáculo ela entra no teatro, sobe ao palco e ali tenta dançar, sempre erra o mesmo passo, só que agora é diferente, ela não dança sozinha, Lis dança junto da alma de outras inúmeras bailarinas.