Karolina
Ruiz
O
interrogatório
- Katerina, já arrumou suas coisas? O caminhão
de mudança já chegou. Anda logo!
- Estou indo mãe,
não me apressa!!!
Passava das
cinco horas , o dia estava para se acabar e para nós era um recomeço.
Compramos uma
velha casa que a muitos anos havia sido um pequeno hotel. Familiar. O luar era
bem grande e bonito, nós estávamos muito felizes.
Chegamos na casa
e arrumamos apenas um quarto no primeiro andar e fomos dormir, pois a mudança
foi muito cansativa, dormimos todos no mesmo quarto, eu, Bernardo, Antony,
Garibaldo, mamãe, meu padrasto Astoufo e suas duas filhas, Flor e Cristal.
Eram três da
madrugada quando eu acordei, tentei dormir novamente, mas um barulho irritante
vindo do corredor estava me incomodando muito. Tente acordar Antony e Bernardo
para irem ver o que estava acontecendo mas meus esforços não valeram de nada,
voltaram a dormir.
Eu não sou uma
garota medrosa, graças a minha infância traumática, porque fui aterrorizada e
forçada a não ter medo de nada pela minha família e em u mês vou fazer
dezessete ano, seria vergonhoso ter medo da própria casa.
Sai do quarto com
uma lanterna e a arma que meu pai me deu no meu aniversário de quinze anos,
presentinho exótico! Um colt 1911, 9 mm, tão foda que pode atravessar o corpo
de duas pessoas com apenas um tiro. A arma estava carregada e eu estava preparada para atirar em qualquer
coisa que se movimentasse a minha frente.
Fui andando no extenso corredor rápida e
alerta em direção a escada quando tropecei em uma boneca de porcelana, muito
estranho, porque Flor, Cristal e eu não tínhamos bonecas! Mas tudo bem, meus
irmãos são meio estranhos mesmo.
Continuei em
frente, subindo a escada, pois o barulho parecia vir do segundo andar, me deparei
com a coisa mais nojenta da vida! Um super rato, mega gigante comendo uma carne
que cheirava muito mal. Aquilo parecia mais um cachorro ou um filhote de
capivara. Horrível. O matei com um tiro que varou o degrau, e aparentemente
todos nessa casa entram em coma quando dormem porque ninguém acordou. Se eu
tivesse sendo estuprada e morta na sala eu não iria ter ajuda alguma.
Como o barulho
não parou, continuei subindo a escada e descobri que o barulho infernal era uma
maldita janela aberta no corredor, que estava batendo sem parar por causa do
vento. Fechei a janela e quando eu estava com o pé no primeiro degrau para
descer, a porta de um dos quartos se abriu lentamente. Aí já viu né? Casa
velha, tudo de madeira, a porta fez aquele som de filme de terror de quando o
capeta tá entrando para matar, mas nem
dei moral, tava com muito sono para ligar. Voltei para a cama, mas eu podia
jurar que quando checamos todas as
janelas estavam trancadas.
Logo pela manhã,
Astoufo saiu para trabalhar e nós ficamos para arrumar a casa, e em seguida a
vovó Blitz chegou com meus primos Adolf
e Samantha para ajudar .
Estava indo tudo
bem, as tarefas estavam bem divididas entre todos. Antony, Cristal e Garibaldo
ficaram responsáveis por limpar os quartos
e encerar o piso e a escada. Bernardo, Flor e Adolf iriam limpar os
banheiros dos quartos de baixo, lavar os banheiros, encerar o piso dos quartos
e das salas e tirar o pó as janelas. Saman...
- Menina! Vá direto ao ponto!!!!!
- Calma seu
delegado, os detalhes são sempre importantes! Onde eu parei?
- Você fala
demais Katerina, mas sim, ia começar a falar das tarefas da Samantha.
- Já me disseram
isso antes, mas enfim, Samantha ficou responsável por cuidar do jardim, limpar
a cozinha, a sala de jantar, aliás La e a mamãe. A vovó Blitz e eu ficamos
responsáveis pela limpeza do porão, do sótão e da piscina. Tudo ia bem.
O sol estava se
pondo, quando de repente ouvimos um barulho de carro, Astoufo não poderia ser,
pois foi viajar a negócios e só voltaria semana que vem. Eram Gertrudes,
Magnifica e Soninha, minhas tias favoritas chegando com o chá da tarde.
Estava quase
tudo em seu devido lugar, os quartos já estavam distribuídos, Antony, Bernardo
e Flor ficaram com os quartos de cima porque são menores e eles passam mais
tempo fora. Garibaldo, Cristal, eu e nossos pais com os de baixo, porque somos
foda e estamos sempre em casa. Enfim, quase todos já tinham acabado com as tarefas
e já estavam comendo mas vovó e eu ainda estávamos terminando de limpar o porão
e foi quando tudo começou.
- Finalmente,
pensei que essa falação toda não ia dar em lugar algum. Fala logo qual é o
lance menina!!
- Por que toda
essa pressa? A noite apenas começou!
- Eu não tenho
tempo a perder com lixos como você e a sua família! É melhor você abrir logo o
bico!!
- Você deveria
nos agradecer. Mas tudo bem, o que nós fazemos nunca terá reconhecimento e é
melhor que continue assim.
- Pare com esse
monte de merda, continue a história.
- Tudo bem
senhor, onde eu parei? Oh sim! E foi onde tudo começou... Eu estava limpando
uma estante no porão e foi quando eu percebi que a parede onde estava na
verdade era uma porta. Bem louco, não?
Vovó Blitz me
ajudou a empurrar a estante e foi surpreendentemente “broxante”, o que era aquele
cômodo secreto.
- O que era?
- Ahh.... Tá
curioso né sapeca?
- Olha respeito mocinha!
-Relaxa,brincadeirinha!! Então, era um quarto de menina, tinha um fronte
de fotos de meninas com feição muito triste penduradas nas paredes e muitas
bonecas? Sabe o que é mais engraçado? É que tinha trinta e sete quadros e o
mesmo valor em bonecas. E as bonecas estavam vestidos como as garotinhas dos
quadros, ainda bem que eu me apego em detalhes hein?
- E o que todos
esses detalhes significam?
- Você vai
entender já já.... Mas então, ai nós entramos no quarto entramos no quarto e a
merda aconteceu muito rápido.
Às vinte e sete
bonecas se transformaram em moças bem furiosas. Tenho a “leve” impressão de que
elas eram as meninas dos quadros.
- O quê? Que
palhaçada é essa? Minha paciência
já está no limite garota! Sua assassina,
vocês vão pagar.
- Você pediu a
verdade e a verdade nem sempre condiz com a realidade! Agora cala a boca e escuta... Aquelas
meninas, moças, tanto faz, estavam presas na casa, as almas delas estavam,
presas as bonecas. O antigo dono, acho
que o primeiro, roubou cada uma delas que estava enterrado no jardim, que raças
a Sam nós achamos e soubemos da verdade.
Augusto dos
Anjos, casado com a vagabunda da Virgínia Croetz, juntos roubavam as meninas a
meninas e as aprisionaram , aos sete anos e faziam elas matar as pessoas que
seriam usadas para um tipo de ritual e aos dezesseis as matavam e bebiam seu
sangue e logo em seguida comiam o coração puro, inocente e virgem daquelas
pobres e indefesas meninas. E sabe para que tudo isso? Para obter vida externa.
É isso o que acontecia naquela casa. E depois monstros somos nós.
Há alguns anos,
Nós matamos esses dois monstros, mas não sabíamos da casa. Meu pai recebeu uma
ligação, um pedido de socorro vindo de
lá. Ele não pode ir ou passar o caso para nós.
Apesar das
meninas não terem culpa, foi bem legal atirar na cara delas, aliás, na cara de
fantasma delas!
- Desculpa
interromper delegado, mas a família toda fugiu.
- O quê? Como?
Vocês são uns incompetentes!!
- Vocês são nojentos, você vai apodrecer aqui!
Essa sua historinha só serviu para me dar mais nojo, Matam garotos e ainda
falam, tem a audácia de dizer que são fantasmas. Qual o problema do mundo?
Mandei carros agora atrás daqueles loucos e você sargento,fica de olho nela.
- Sim, delegado.
- Cala a boca
sua cretina!
- Só fiz uma
pergunta, sabe? O pedido de socorro que meu pai recebeu foi de uma alma do além!
UHHHHH,hahhahaahhah...
- Calada! Eu não
acredito.
-Vou ter de
provar, eu tenho uma gravação no meu celular, tirar as algemas que eu te
mostro.
- Acha que eu sou
idiota?
- Qual é? Você tá
armado e é tão forte!
- Sou forte é? Tá
bom! Mas se você tentar alo eu atiro em você.
- Relaxa gato,
você tá muito tenso!
Ele tirou as
algemas e Katerine com um golpe o desmaiou e fugiu, foi ao encontro da família.
- Por que demorou
tanto Kat? – disse Samantha.
- O delegado tava
no meu pé.
- Bom pessoal e
agora? Já salgamos e queimamos os ossos. O que vai ser? Pra onde vocês vão? –
disse Bernardo.
- Eu e Adolf
vamos par o Colorado, ouvi boatos de que tem um ninho de vampiros por lá – disse
Samantha.
- Eu vou para
casa também, espero vocês para o Natal. – disse a velha vovó Blitz.
- Eu vou pra
casa também, disse a mãe de Katerine.
- É pessoal, Foi
bom trabalhar com vocês! Valeu família, agora é cada um para um canto e vamos
continuar com isso, caçar monstros, salvar pessoas, o negócio da família.
E assim foi,
cada um para um canto, continuar com o negócio da família...
- Kat, levanta
agora! Vai se atrasar para a escola, levanta agora garota!!!
- O quê? Ahhhh
não....
- Ah não o quê?
- Não tem
fantasmas mãe?
- Tem você
garota, levanta logo!!!!
E tudo não havia
passado de um sonho.....
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