segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Karolina Ruiz
O interrogatório
    - Katerina, já arrumou suas coisas? O caminhão de mudança já chegou. Anda logo!
   - Estou indo mãe, não me apressa!!!
   Passava das cinco horas , o dia estava para se acabar e para nós era um recomeço.
  Compramos uma velha casa que a muitos anos havia sido um pequeno hotel. Familiar. O luar era bem grande e bonito, nós estávamos muito felizes.
  Chegamos na casa e arrumamos apenas um quarto no primeiro andar e fomos dormir, pois a mudança foi muito cansativa, dormimos todos no mesmo quarto, eu, Bernardo, Antony, Garibaldo, mamãe, meu padrasto Astoufo e suas duas filhas, Flor e Cristal.
  Eram três da madrugada quando eu acordei, tentei dormir novamente, mas um barulho irritante vindo do corredor estava me incomodando muito. Tente acordar Antony e Bernardo para irem ver o que estava acontecendo mas meus esforços não valeram de nada, voltaram a dormir.
  Eu não sou uma garota medrosa, graças a minha infância traumática, porque fui aterrorizada e forçada a não ter medo de nada pela minha família e em u mês vou fazer dezessete ano, seria vergonhoso ter medo da própria casa.
  Sai do quarto com uma lanterna e a arma que meu pai me deu no meu aniversário de quinze anos, presentinho exótico! Um colt 1911, 9 mm, tão foda que pode atravessar o corpo de duas pessoas com apenas um tiro. A arma estava carregada  e eu estava preparada para atirar em qualquer coisa que se movimentasse a minha frente.
  Fui andando no extenso corredor rápida e alerta em direção a escada quando tropecei em uma boneca de porcelana, muito estranho, porque Flor, Cristal e eu não tínhamos bonecas! Mas tudo bem, meus irmãos são meio estranhos mesmo.   
  Continuei em frente, subindo a escada, pois o barulho parecia vir do segundo andar, me deparei com a coisa mais nojenta da vida! Um super rato, mega gigante comendo uma carne que cheirava muito mal. Aquilo parecia mais um cachorro ou um filhote de capivara. Horrível. O matei com um tiro que varou o degrau, e aparentemente todos nessa casa entram em coma quando dormem porque ninguém acordou. Se eu tivesse sendo estuprada e morta na sala eu não iria ter ajuda alguma.
  Como o barulho não parou, continuei subindo a escada e descobri que o barulho infernal era uma maldita janela aberta no corredor, que estava batendo sem parar por causa do vento. Fechei a janela e quando eu estava com o pé no primeiro degrau para descer, a porta de um dos quartos se abriu lentamente. Aí já viu né? Casa velha, tudo de madeira, a porta fez aquele som de filme de terror de quando o capeta  tá entrando para matar, mas nem dei moral, tava com muito sono para ligar. Voltei para a cama, mas eu podia jurar que  quando checamos todas as janelas estavam trancadas.
   Logo pela manhã, Astoufo saiu para trabalhar e nós ficamos para arrumar a casa, e em seguida a vovó Blitz chegou com  meus primos Adolf e Samantha para ajudar .
   Estava indo tudo bem, as tarefas estavam bem divididas entre todos. Antony, Cristal e Garibaldo ficaram responsáveis por limpar os quartos  e encerar o piso e a escada. Bernardo, Flor e Adolf iriam limpar os banheiros dos quartos de baixo, lavar os banheiros, encerar o piso dos quartos e das salas e tirar o pó as janelas. Saman...
   - Menina!  Vá direto ao ponto!!!!!
   - Calma seu delegado, os detalhes são sempre importantes! Onde eu parei?
  - Você fala demais Katerina, mas sim, ia começar a falar das tarefas da Samantha.
   - Já me disseram isso antes, mas enfim, Samantha ficou responsável por cuidar do jardim, limpar a cozinha, a sala de jantar, aliás La e a mamãe. A vovó Blitz e eu ficamos responsáveis pela limpeza do porão, do sótão e da piscina. Tudo ia bem.
   O sol estava se pondo, quando de repente ouvimos um barulho de carro, Astoufo não poderia ser, pois foi viajar a negócios e só voltaria semana que vem. Eram Gertrudes, Magnifica e Soninha, minhas tias favoritas chegando com o chá da tarde.
   Estava quase tudo em seu devido lugar, os quartos já estavam distribuídos, Antony, Bernardo e Flor ficaram com os quartos de cima porque são menores e eles passam mais tempo fora. Garibaldo, Cristal, eu e nossos pais com os de baixo, porque somos foda e estamos sempre em casa. Enfim, quase todos já tinham  acabado com as tarefas e já estavam comendo mas vovó e eu ainda estávamos terminando de limpar o porão e foi quando tudo começou.
   - Finalmente, pensei que essa falação toda não ia dar em lugar algum. Fala logo qual é o lance menina!!
   - Por que toda essa pressa? A noite apenas começou!
   - Eu não tenho tempo a perder com lixos como você e a sua família! É melhor você abrir logo o bico!!
   - Você deveria nos agradecer. Mas tudo bem, o que nós fazemos nunca terá reconhecimento e é melhor que continue assim.
   - Pare com esse monte de merda, continue a história.
  - Tudo bem senhor, onde eu parei? Oh sim! E foi onde tudo começou... Eu estava limpando uma estante no porão e foi quando eu percebi que a parede onde estava na verdade era uma porta. Bem louco, não?
  Vovó Blitz me ajudou a empurrar a estante e foi surpreendentemente “broxante”, o que era aquele cômodo secreto.
  - O que era?
  - Ahh.... Tá curioso né sapeca?
  - Olha  respeito mocinha!
  -Relaxa,brincadeirinha!! Então, era um quarto de menina, tinha um fronte de fotos de meninas com feição muito triste penduradas nas paredes e muitas bonecas? Sabe o que é mais engraçado? É que tinha trinta e sete quadros e o mesmo valor em bonecas. E as bonecas estavam vestidos como as garotinhas dos quadros, ainda bem que eu me apego em detalhes hein?
  - E o que todos esses detalhes significam?
  - Você vai entender já já.... Mas então, ai nós entramos no quarto entramos no quarto e a merda aconteceu muito rápido.
  Às vinte e sete bonecas se transformaram em moças bem furiosas. Tenho a “leve” impressão de que elas eram as meninas dos quadros.
  - O quê? Que palhaçada é  essa? Minha paciência já  está no limite garota! Sua assassina, vocês vão pagar.
  - Você pediu a verdade e a verdade nem sempre condiz com a realidade!  Agora cala a boca e escuta... Aquelas meninas, moças, tanto faz, estavam presas na casa, as almas delas estavam, presas as bonecas. O antigo  dono, acho que o primeiro, roubou cada uma delas que estava enterrado no jardim, que raças a Sam nós achamos e soubemos da verdade.
   Augusto dos Anjos, casado com a vagabunda da Virgínia Croetz, juntos roubavam as meninas a meninas e as aprisionaram , aos sete anos e faziam elas matar as pessoas que seriam usadas para um tipo de ritual e aos dezesseis as matavam e bebiam seu sangue e logo em seguida comiam o coração puro, inocente e virgem daquelas pobres e indefesas meninas. E sabe para que tudo isso? Para obter vida externa. É isso o que acontecia naquela casa. E depois monstros somos nós.
   Há alguns anos, Nós matamos esses dois monstros, mas não sabíamos da casa. Meu pai recebeu uma ligação, um pedido  de socorro vindo de lá. Ele não pode ir ou passar o caso para nós.
   Apesar das meninas não terem culpa, foi bem legal atirar na cara delas, aliás, na cara de fantasma delas!
   - Desculpa interromper delegado, mas a família toda fugiu.
   - O quê? Como? Vocês são uns incompetentes!!
   -  Vocês são nojentos, você vai apodrecer aqui! Essa sua historinha só serviu para me dar mais nojo, Matam garotos e ainda falam, tem a audácia de dizer que são fantasmas. Qual o problema do mundo? Mandei carros agora atrás daqueles loucos e você sargento,fica de olho nela.
   - Sim, delegado.
   - Cala a boca sua cretina!
   - Só fiz uma pergunta, sabe? O pedido de socorro que meu pai recebeu  foi de uma alma do além! UHHHHH,hahhahaahhah...
  - Calada! Eu não acredito.
  -Vou ter de provar, eu tenho uma gravação no meu celular, tirar as algemas que eu te mostro.
  - Acha que eu sou idiota?
  - Qual é? Você tá armado e é tão forte!
  - Sou forte é? Tá bom! Mas se você tentar alo eu atiro em você.
  - Relaxa gato, você tá muito tenso!
  Ele tirou as algemas e Katerine com um golpe o desmaiou e fugiu, foi ao encontro da família.
  - Por que demorou tanto Kat? – disse Samantha.
  - O delegado tava no meu pé.
  - Bom pessoal e agora? Já salgamos e queimamos os ossos. O que vai ser? Pra onde vocês vão? – disse Bernardo.
  - Eu e Adolf vamos par o Colorado, ouvi boatos de que tem um ninho de vampiros por lá – disse Samantha.
   - Eu vou para casa também, espero vocês para o Natal. – disse a velha vovó Blitz.
   - Eu vou pra casa também, disse a mãe de Katerine.
   - É pessoal, Foi bom trabalhar com vocês! Valeu família, agora é cada um para um canto e vamos continuar com isso, caçar monstros, salvar pessoas, o negócio da família.
   E assim foi, cada um para um canto, continuar com o negócio da família...
   - Kat, levanta agora! Vai se atrasar para a escola, levanta agora garota!!!
   - O quê? Ahhhh não....
   - Ah não o quê?
  - Não tem fantasmas mãe?
  - Tem você garota, levanta logo!!!!

  E tudo não havia passado de um sonho.....

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