segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Nome: Lucas Alexandre Jorge                Nº: 21                        2º A
Relíquia de Miguel
            Na décima primeira badalada, o sino da igreja proclamava a entrada da madrugada, era meia-noite.Que por sinal, seria uma longa e perigosa madrugada para o único reverendo daquela cidadezinha pacata, quase inundada pela tempestade.
            Acordou assustado com um raio que caía a poucos metros dali.Vestiu sua batina, calçou suas sandálias e com uma vela acesa num candelabro de prata, vagueou pelo corredor úmido, obscuro e solitário daquele seminário, até chegar no seu lugar de orações.Começou a meditar, quando aquela sala tornou-se dia com os relâmpagos que a tempestade gerava.Em seguida, ouviu um estalar de pancadas, provavelmente, oriundos da porta central da igreja.Indo ao encontro dos chamados, rezou vários creios, padres-nosso e ave-marias, antes de virar a maçaneta e verificar qual louco seria este que o perturbava aquela hora.
            Quando olhou para fora, ficou ensopado com o dilúvio que ali estava, mas pôde perceber quem era a pobre criatura que estava debaixo daquela capa preta: o velho oleiro da cidadezinha.
            -Sua Bênção, padre! Desculpe por estar aparecendo a essa hora, inclusive neste tempo de grande tempestade, mas algo muito sério me impulsionou a vir.Sei muito bem que não venho muito às missas de domingo, nem sequer rezo uma Ave-Maria antes de dormir, mas o senhor é o único que pode ajudar o problema da minha filhinha...
            Um arrepio sinistro invadiu sua espinha, o sacerdote engoliu em seco.Em seguida, tentou balbuciar:
            -Mas, o que ela tem?
            Respondeu apressadamente o oleiro:
            -Não sei, não senhor... Há dias que não se alimenta, ela só come as próprias fezes e bebe a própria urina, pois garante que alguém a ordena a fazer isso, caso contrário, irá torturá-la ainda mais! Objetos se movem sózinhos em casa e um dia, a encontramos no teto de seu quarto, em cima da janela. Estava toda contorcida e parecia que estava sendo aprisionada, alguma coisa a beliscava.A pobrezinha gritava muito e pedia para que parassem.Muitos falam que está atormentada por demônios, mas não acredito nisso, ele não existe.
            O padre, atônito com o que ouvia, correu buscar seus santos óleos, água e sal bentos, crucifixo e alguns livros necessários para essa missão. Era claro que iria comandar um ritual de exorcismo, evidente.
            Guardou com todo zelo suas armas para essa guerra espiritual, juntamente com a sua estola, que por sinal, seria muito útil para a situação.Como era um bom sacerdote, recorreu ao seus santos de devoção, à Virgem Maria e ao Arcanjo Miguel para que guiassem seus passos a fim de derrotar a primitiva serpente, o dragão infernal.
            O primeiro contratempo a ser vencido: a tempestade.Outra nunca mais houve na região.Tudo conspirava contra a salvação daquela jovem.Como chegar naquela humilde casa sem serem levados pela enxurrada?
            Comovido com a situação, o padre resolveu pedir ajuda ao vizinho, que por sinal, era muito gentil.Emprestou seu melhor alazão, juntamente com uma boa carruagem, que suportaria a travessia com aquele clima. Cobrou apenas uns rosários ao sacerdote, para que, o empréstimo fosse agradecido.
            Logo, selaram o cavalo, o oleiro foi dirigindo e o padre foi atrás, preparando-se para o que iria encontrar.
            Andaram alguns metros, atravessaram a primeira colina, quando a chuva cessou. As rodas da carruagem travaram misteriosamente, as patas do cavalo foram bloqueadas.Tudo ficou imóvel, como se os segundos, os minutos e as horas não mais existissem.Estranhando o que se passava, o padre foi guiado por seus instintos de vocação e soube que ali, naquele instante, iria passar por uma provação, não física, mas só a fé poderia responder...
            Como se uma força maior o governasse, enfim, conseguiu abrir a porta da carruagem e verificar o que tinha acontecido, pois imaginava que tinham atolado. Ao sair, se deslumbrou com a lua cheia mais linda que tinha visto na vida, era farta, brilhante e tão próxima, que achou estranho, pois não parecia ter dado aquela tempestade a poucos segundos. Percebeu também que o chão estava seco. Ao olhar para a frente uma fumaça gélida, invade aquele campo. Juntamente, uma mula gigante, negra como a noite, olhos flamejando como vulcão, de suas narinas, borrifam ainda mais fumaça, um cheiro de enxofre e um medo assombroso invadem o lugar. Aquele animal sai em disparada, vindo em direção do sacerdote, tenta prensá-lo sobre a carruagem, quando o reverendo consegue ser mais ágil. Acolhe nos dedos um frasco de água benta. Quando estão para colidir, o sacerdote proclama, em latim, juntamente com a água sendo jorrada:
            -Vade Retro, Sátana!
            A partir daí, só ouviam zurros ensurdecedores. A mula sumiu, evaporou com a água sendo aspergida. O padre entrou na carruagem e instantaneamente, um grande trovão, proclamou a segunda parte do dilúvio que tomaria conta da região. Como se fosse liberta, a carruagem correu em disparada, causando um estrondo ainda maior, parecendo que nunca havia sido parada, seguindo na mesma velocidade. O oleiro presenciava tudo e quase caindo de cima do cocheiro, o padre o desperta:
            -Você ainda duvida a existência do demônio, seu cabeça dura? Pode até duvidar dele, mas o demônio acredita em você...
            Ainda com suas dúvidas, o oleiro consentiu e prosseguiu para casa.Seus pensamentos não paravam, mas o padre gritava para que ouvisse, lá do fundo da carruagem, para que orasse e vigiasse e não caísse na tentação.
            Perplexo com o que vivenciou, o padre começou a ter um sentimento de desistência, mas, mal sabia que o segundo contratempo estava por vir:
            Passando por um buraco que estava no meio do caminho, o padre ficou rígido, não movia mais nenhum músculo.Nunca havia passado por isso, nem em seus maiores pesadelos.Quando não podia piorar, ouvia-se do lado de fora da carruagem, como se unhas transpassassem o perímetro, produzindo sons ensurdecedores.Um frio na espinha dominou o sacerdote, sendo despercebido por uma sensação de um cão estar farejando todo seu corpo.Quando chegou na sua face, sentia como se bufasse, igualmente a mula. Aquilo deixou o padre suando frio, as janelas da cabine ficaram todas embaçadas com a fumaça gelada que acabava de entrar.Um frenético silêncio perfura todo o temor, até que seus ouvidos são contagiados por gargalhadas vindas dos anjos caídos.
            Com um grito, o reverendo pega seu rosário e começa a rezar cada vez mais.Já desistindo de todas as possibilidades de chegar ao seu destino, fechou os olhos e implorava para que os anjos viessem ajudá-lo.
            -Hoje seus anjos não vão te ajudar, afinal, estarão cuidando de um funeral.
            Ao verificar quem lhe havia dirigido a palavra, estava ali, do seu lado, uma belíssima mulher: vestido vermelho, belos seios, cabelos longos e traços sensuais.Prossegue vociferando:
            -DOMINUS TUUS MORTUUS EST!
            Quando o padre percebe, havia chegado o terceiro contratempo. Aliás, caiu em si também, que era madrugada de Sexta-Feira Santa, encaixando-se com o que a mulher dissera: ‘’Deus está morto!’’ .Como é possível aquela mulher ter chegado ali, sentando ao lado do padre? Ela diz:
            -Me beija.
            Digerindo o que a mulher dizia, o sacerdote não compreendia o que se passava... Ela retorna a dizer:
            -Me possua, faz o que queres de mim!
Compreendendo o que estava se passando, o sacerdote mostra-lhe a cruz de seu peito e proclama:     
-Foge daqui Satanás, inventor e mestre de todos os enganos. Retrocede diante de Cristo!
Um sorriso sarcástico deu lugar ao ocorrido, retornando ao estado inicial. A mulher já não estava mais lá, deu lugar ao escuro, insegurança e desespero.Enfim chegaram na casa do oleiro, ficava perto de um celeiro feito para guardar feno. A chuva, enfim, cessara um pouco, o que podia se ver nos postes ao longe, era um leve gotejar, misturado com o sereno da noite.
Entraram na casa, o oleiro foi mostrando o caminho que dava ao quarto da menina.O padre conferiu em seu relógio de bolso, eram duas e cinquenta e nove da manhã.Chegando lá, deparou-se com uma sombra feita pela única vela acesa no cômodo, que estava ao lado do leito. Era a mãe da menina, estava segurando um terço e usava um véu negro sobre a cabeça. Há dias que não comia, oferecendo seus jejuns para o bem da filha.Esta que não fechava mais os olhos para dormir, virou sua cabeça para saber quem havia chegado, e grunhiu incomodada como por um raio de sol numa manhã de domingo.
O padre, perplexo imaginando o que lhe esperava, cumprimentou sua fiel, que há muitos dias não a via na missa e pediu para sentar.Enfim, ali estavam, a menina que não era tão menina, uma jovem de uns vinte anos, que, era ferozmente atormentada por demônios. Para ter certeza do êxito do seu trabalho, o sacerdote teve de alertar aos pais o que iria ocorrer, pois se tratava de um assunto cauteloso,que faria cair em decadência a vida daquela família e a do próprio sacerdote, caso chegasse nos ouvidos da Diocese. Todos concordaram em manter total sigilo, para certificarem da segurança.
Aconteceu que, o demônio alojado na menina, sentiu a presença do sacerdote muito antes dele entrar na residência. Sabia que o padre tinha total poder e autoridade para expulsá-lo, então, como é astuto, tentou livrar-se de seu inimigo naquele instante.
-Três horas!
Foi o que anunciou o padre.Sendo um horário muito simbólico, ainda mais no dia em que estavam (Horário que os demônios usam para deturpar, profanar, danificar a Trindade) o demônio, sabendo disso, decidiu ‘’dar as caras’’ por meio da menina.
-Maldito seja Deus! Maldito seja seu nome! Menina vagabunda! Ela é toda minha, ninguém me tira dela! Essa eu devoro no precipício do inferno, nem as traças a consumirão, pois ela foi destinada para mim!
Com a astúcia divina, o padre já providencia um local para iniciar seu exorcismo. Pegou de sua maleta tudo o que seria necessário para o momento, começou pela estola, rosário, água benta e crucifixo na mão direita, livros de rituais na mão esquerda. E borrifou umas gotas de água na moça. Como se estivesse numa labareda, as gotas se dissolviam e tornavam-se vapor. Tentou mais uma vez para que tocasse a pele da menina, em vão.
Ordenou que a amarrassem nas beiradas da cama, para que, enfim, desse início ao exorcismo. Percebendo que agora já dava para continuar, besuntou sua mão com água e traçou na testa da possessa, uma enorme cruz que parecia ser traçada com fogo de tanto que ardia e gritava. Foi um gesto recíproco, ao terminar o sinal da cruz, ela fixa o olhar e cospe em sua face, afastando-se com um rosnar furioso.
O sacerdote optou por começar a dizer algumas orações de exorcismo.Com voz potente e autoritária, proclama:
-Eu, como sacerdote, representante de Cristo, ordeno-te em nome da Santa Cruz, do Preciosíssimo Sangue, das Cinco Chagas, da Virgem Imaculada, da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, de São Miguel, diga o seu nome.
Como uma serpente rasteja na areia quente do deserto, assim estava a garota em seu leito, que enfim, diz:
-Digas-me tu, quem é você, maldito! Sacerdote, é? Acabei com vários! Assim como Jesabel! Conheces? Vários discípulos meus fazem hoje, como Jesabel fez! Ah, tantos que jazem em minhas mãos!
Um barulho de serpente vibra o lugar.
-Pelas minhas mão sacerdotais, pela Santíssima Virgem Maria, ordeno-te, quem és?
-Ah, Ela não! Por que sempre meta Ela onde não deve? Já não basta ser mãe de Jesus, acabando com nossos planos de perdição da humanidade, agora vem até aqui nos estorvar? Chega! Ela não! Não há criatura que eu odeie mais! Se um dia, for destruído, que seja pela mão de Deus e não por uma humana coitada! Maldita seja! Nem xingá-la eu posso! Devo reverência, louvor e respeito total, pois é por culpa dela que essa pandilha e eu caímos! Se vocês soubessem o amor que ela tem por vocês, viveriam todos ajoelhados rezando aquelas bostinhas de cabrito que vocês pulam... QUE NOJO! Amor! Damn caritate! Ela por inteiro, é um terror a nós!
-Ordeno-te, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo! Diga quem és e quantos são!
-MALDITO ESPÍRITO SANTO! Somos a quantidade de filhos que ela abortou!
A mãe, ilumina a situação percebendo a frustração do sacerdote:
-Ela já foi casada, engravidou várias vezes, mas perdeu todos! O marido, faleceu a algum tempo em um acidente.
-E quantos filhos ela teve?
Com a dúvida pairando no ar, a moça começa a se debater na parede, ainda presa na cama. O padre, a segura pelos braços e vê, sob o seu pijama, sangramentos vindos do braço direito da menina. Ao puxar para ver o que acontecia, percebeu que apareciam em seu braço, vários números em seu corpo. A menina estava sendo mutilada como que por navalhas, o número 3. E um grande grito, confirma:
-SOMOS TRÊS!
-Diga, em nome de Deus, quem são?
-Sou eu quem te falo agora, uma das bruxas de Salém! E eu te revelo e declaro, maldito; foi eu quem te pediu um beijo na carruagem vindo para cá e você desprezou. Malditos serão todos os seus dias, pois ninguém me rejeita! E foi eu também que foi a causadora pela morte dessas crianças...
Ao perceberem, a moça já havia se rompido das amarras e jazia, quase morta, no chão de seu quarto. O padre, perdido com tantos acontecimentos, vai em socorro da jovem. Ao chegar perto, o ventre da possessa, infla como  se fosse ar. Pés e mãos agitadas de crianças dá para se ver por fora da barriga. Nesse instante, a Bruxa de Salém fez com que a jovem viúva chorasse todos os choros de seus filhinhos, um por vez. Segurando na estola do sacerdote, diz:
-Me estupra.
Um alarmante e sarcástico riso de bruxa consome seus ouvidos. O sacerdote, guiado pelo crucifixo, reza:
- Crux sacra sit mihi lux, non draco sit mihi dux ,vade retro sátana nunquam suade mihi vana , sunt mala quae libas, ipse venena bibas!
A menina tossia muito, parecendo estar com ância.Percebendo, o padre ordena ao demônio que pusesse  para fora todo tipo de depravação, para que a moça ficasse liberta. Ao proclamar, ela vomita um líquido negro, parecendo piche, quando tocado no chão, tornavam-se pregos enormes e pontiagudos, agulhas finas e sinistras usadas pela própria bruxa em seus rituais de magia negra.Gemendo e urrando de dor, exclama:
-MEDEIA!
A jovem acabava de se libertar da bruxa de Salém.Agora, faltavam dois! O padre questiona:
-Qual é o seu nome?
-Ela não irá dormir nunca mais! Se fechar os olhos, eu a arranco pedaços com meus dentes! Ela só irá repousar em meus braços no inferno! ELA É MINHA! Sou eu quem a belisco para que ela não durma! Insônia é o meu nome...
-Diga seu nome, espírito imundo! Retornarás ao nicho de víboras de onde viestes! Eu te ordeno, diz a verdade e só a verdade, em nome da Santíssima Trindade, da Santíssima Virgem Maria da Imaculada Conceição, fale seu nome pelo poder do Santo Rosário!
-NÃO! O Rosário não! Detesto isso! Para que rezar? Chega! Fica acordado comigo! Ela nem liga para você mesmo! Essa a quem vocês chamam de Santa, coitada! Não é nada perante mim!
- Cale-se, cão maldito! Sabes muito bem que uma Ave-Maria proferida dos lábios da Santíssima Virgem, é mais potente que todas as orações dos Anjos e Santos unidas em uma só! Rogo pela intercessão de Maria Santíssima neste momento, que sua presença esteja aqui, que seja a própria Senhora rezando em mim: Ave-Maria, cheia de graça...
-MALDITO! IMBECÍL! CHEGA!
-Santa Maria, mãe de Deus...
Enquanto o sacerdote rezava, uma luz inundou aquele quarto. Uma presença que trazia a paz pousou ali. Uma não, duas! Era Miguel e a Santíssima Virgem, esperando o momento certo para dizimar satanás.
- ... Agora e na hora de nossa morte, amém! Diga seu nome!
-AMICOL!
-Ordeno-te Amicol, voltes para onde veio e que lá fiques! Seja arrastado pelo rosário da Virgem Maria às profundezas do Inferno, onde nunca deverias ter saído. Faltou um... Ordeno-te, como fiz com Medeia e Amicol, digas quem é!
Um mortífero silêncio invadiu aquela casa, juntamente com uma escuridão nefasta. Apenas dois olhos flamejantes como tochas são capazes de ver no breu, quando ouvem:
-SOU LÚCIFER, O DIABO DO ORGULHO!
-ORDENO-TE, ARCANJO MIGUEL, VAI E TRAVE COMBATE COM O REI DOS DEMÔNIOS! Expulsa e envergonhe satanás juntamente com todo o inferno! Enviai fileiras de Anjos e Arcanjos, mostre que não há ninguém como Deus! Retorne a mandá-lo para o inferno, lá é o lugar que merece!
Outra vez, uma luz incendiou a casa. Tudo ficou branco, nada se via ou ouvia. A paz reinava neste lugar. A única certeza que o padre teve de ser verídica aquela guerra espiritual, foi quando ouviu a espada de Miguel perfurar a Primitiva Serpente e uma pequena lâmina, lascou e caiu onde eles estavam de início. Ao entrar em contato com o plano terrestre, ouvia-se os quatro ventos, raios e tempestades, os oceanos se agitaram, terremotos, vulcões e tsunamis proclamavam a dor que tamanha arma propusera.Apenas se ouviu:
-LÚCIFER!
-Esconjuro-vos, todo espírito impuro, todo poder satânico, cada incursão do adversário infernal, cada legião, toda congregação e seita diabólica. Portanto, maldito dragão e legião diabólica, eu vos ordeno, deixem de enganar as criaturas humanas. Vá embora satanás, inventor e mestre de toda mentira, inimigo da salvação do homem.Humilha-te perante a poderosa mão de Deus, treme e foge quando invocarmos o nome do Santo dos Santos, quando ouvido, trema os infernos. Livrai-nos do inimigo, isso vos pedimos, livrai-nos, Senhor.Para que a tua Igreja possa servir-te em paz e liberdade, livrai-nos, Senhor.
O sacerdote desmaia de tanto esgotamento, mas conseguiu com êxito, acabar com o ritual de exorcismo. Acordou com uma luz incomparável e alguém com asas esbofeteando sua face, dizendo:
-Calme, sou Miguel. Agora, vais depressa! A missa das seis da manhã está para começar, rápido!
Olhando em volta, ainda perplexo com o que havia acontecido na noite anterior, percebe que está na sua igrejinha e sim, estava quase para começar a Santa Missa, já tendo alguns fiéis na porta esperando que fosses recebidos. Entre os fiéis, estava também a família do oleiro. Com os olhares de gratificação, que inundaram o coração do padre de alegria. Terminando a missa, Lucia, a jovem liberta, entrega nas mãos do padre uma pequena espada de ferro:

-Tome, esqueceu isso em casa. Saiu tão apressado ontem, nem deu tempo de agradecer... Como é pesada, não é? Tão pequena e tão potente! Dá a impressão que ganhou do próprio Arcanjo Miguel! Vai entender, coisas de padre...

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