Nome:
Lucas Alexandre Jorge Nº: 21 2º
A
Relíquia
de Miguel
Na décima
primeira badalada, o sino da igreja proclamava a entrada da madrugada, era
meia-noite.Que por sinal, seria uma longa e perigosa madrugada para o único
reverendo daquela cidadezinha pacata, quase inundada pela tempestade.
Acordou
assustado com um raio que caía a poucos metros dali.Vestiu sua batina, calçou
suas sandálias e com uma vela acesa num candelabro de prata, vagueou pelo
corredor úmido, obscuro e solitário daquele seminário, até chegar no seu lugar
de orações.Começou a meditar, quando aquela sala tornou-se dia com os
relâmpagos que a tempestade gerava.Em seguida, ouviu um estalar de pancadas,
provavelmente, oriundos da porta central da igreja.Indo ao encontro dos
chamados, rezou vários creios, padres-nosso e ave-marias, antes de virar a
maçaneta e verificar qual louco seria este que o perturbava aquela hora.
Quando
olhou para fora, ficou ensopado com o dilúvio que ali estava, mas pôde perceber
quem era a pobre criatura que estava debaixo daquela capa preta: o velho oleiro
da cidadezinha.
-Sua
Bênção, padre! Desculpe por estar aparecendo a essa hora, inclusive neste tempo
de grande tempestade, mas algo muito sério me impulsionou a vir.Sei muito bem
que não venho muito às missas de domingo, nem sequer rezo uma Ave-Maria antes
de dormir, mas o senhor é o único que pode ajudar o problema da minha
filhinha...
Um
arrepio sinistro invadiu sua espinha, o sacerdote engoliu em seco.Em seguida,
tentou balbuciar:
-Mas, o
que ela tem?
Respondeu
apressadamente o oleiro:
-Não
sei, não senhor... Há dias que não se alimenta, ela só come as próprias fezes e
bebe a própria urina, pois garante que alguém a ordena a fazer isso, caso
contrário, irá torturá-la ainda mais! Objetos se movem sózinhos em casa e um
dia, a encontramos no teto de seu quarto, em cima da janela. Estava toda
contorcida e parecia que estava sendo aprisionada, alguma coisa a beliscava.A
pobrezinha gritava muito e pedia para que parassem.Muitos falam que está atormentada
por demônios, mas não acredito nisso, ele não existe.
O padre,
atônito com o que ouvia, correu buscar seus santos óleos, água e sal bentos,
crucifixo e alguns livros necessários para essa missão. Era claro que iria
comandar um ritual de exorcismo, evidente.
Guardou
com todo zelo suas armas para essa guerra espiritual, juntamente com a sua
estola, que por sinal, seria muito útil para a situação.Como era um bom
sacerdote, recorreu ao seus santos de devoção, à Virgem Maria e ao Arcanjo
Miguel para que guiassem seus passos a fim de derrotar a primitiva serpente, o
dragão infernal.
O
primeiro contratempo a ser vencido: a tempestade.Outra nunca mais houve na
região.Tudo conspirava contra a salvação daquela jovem.Como chegar naquela
humilde casa sem serem levados pela enxurrada?
Comovido
com a situação, o padre resolveu pedir ajuda ao vizinho, que por sinal, era
muito gentil.Emprestou seu melhor alazão, juntamente com uma boa carruagem, que
suportaria a travessia com aquele clima. Cobrou apenas uns rosários ao
sacerdote, para que, o empréstimo fosse agradecido.
Logo, selaram
o cavalo, o oleiro foi dirigindo e o padre foi atrás, preparando-se para o que
iria encontrar.
Andaram
alguns metros, atravessaram a primeira colina, quando a chuva cessou. As rodas
da carruagem travaram misteriosamente, as patas do cavalo foram bloqueadas.Tudo
ficou imóvel, como se os segundos, os minutos e as horas não mais
existissem.Estranhando o que se passava, o padre foi guiado por seus instintos
de vocação e soube que ali, naquele instante, iria passar por uma provação, não
física, mas só a fé poderia responder...
Como se
uma força maior o governasse, enfim, conseguiu abrir a porta da carruagem e
verificar o que tinha acontecido, pois imaginava que tinham atolado. Ao sair,
se deslumbrou com a lua cheia mais linda que tinha visto na vida, era farta,
brilhante e tão próxima, que achou estranho, pois não parecia ter dado aquela
tempestade a poucos segundos. Percebeu também que o chão estava seco. Ao olhar
para a frente uma fumaça gélida, invade aquele campo. Juntamente, uma mula
gigante, negra como a noite, olhos flamejando como vulcão, de suas narinas,
borrifam ainda mais fumaça, um cheiro de enxofre e um medo assombroso invadem o
lugar. Aquele animal sai em disparada, vindo em direção do sacerdote, tenta
prensá-lo sobre a carruagem, quando o reverendo consegue ser mais ágil. Acolhe
nos dedos um frasco de água benta. Quando estão para colidir, o sacerdote
proclama, em latim, juntamente com a água sendo jorrada:
-Vade
Retro, Sátana!
A partir
daí, só ouviam zurros ensurdecedores. A mula sumiu, evaporou com a água sendo
aspergida. O padre entrou na carruagem e instantaneamente, um grande trovão,
proclamou a segunda parte do dilúvio que tomaria conta da região. Como se fosse
liberta, a carruagem correu em disparada, causando um estrondo ainda maior,
parecendo que nunca havia sido parada, seguindo na mesma velocidade. O oleiro
presenciava tudo e quase caindo de cima do cocheiro, o padre o desperta:
-Você
ainda duvida a existência do demônio, seu cabeça dura? Pode até duvidar dele,
mas o demônio acredita em você...
Ainda
com suas dúvidas, o oleiro consentiu e prosseguiu para casa.Seus pensamentos
não paravam, mas o padre gritava para que ouvisse, lá do fundo da carruagem,
para que orasse e vigiasse e não caísse na tentação.
Perplexo
com o que vivenciou, o padre começou a ter um sentimento de desistência, mas,
mal sabia que o segundo contratempo estava por vir:
Passando
por um buraco que estava no meio do caminho, o padre ficou rígido, não movia
mais nenhum músculo.Nunca havia passado por isso, nem em seus maiores
pesadelos.Quando não podia piorar, ouvia-se do lado de fora da carruagem, como
se unhas transpassassem o perímetro, produzindo sons ensurdecedores.Um frio na
espinha dominou o sacerdote, sendo despercebido por uma sensação de um cão
estar farejando todo seu corpo.Quando chegou na sua face, sentia como se
bufasse, igualmente a mula. Aquilo deixou o padre suando frio, as janelas da
cabine ficaram todas embaçadas com a fumaça gelada que acabava de entrar.Um
frenético silêncio perfura todo o temor, até que seus ouvidos são contagiados
por gargalhadas vindas dos anjos caídos.
Com um
grito, o reverendo pega seu rosário e começa a rezar cada vez mais.Já
desistindo de todas as possibilidades de chegar ao seu destino, fechou os olhos
e implorava para que os anjos viessem ajudá-lo.
-Hoje
seus anjos não vão te ajudar, afinal, estarão cuidando de um funeral.
Ao
verificar quem lhe havia dirigido a palavra, estava ali, do seu lado, uma
belíssima mulher: vestido vermelho, belos seios, cabelos longos e traços
sensuais.Prossegue vociferando:
-DOMINUS
TUUS MORTUUS EST!
Quando o
padre percebe, havia chegado o terceiro contratempo. Aliás, caiu em si também,
que era madrugada de Sexta-Feira Santa, encaixando-se com o que a mulher
dissera: ‘’Deus está morto!’’ .Como é possível aquela mulher ter chegado ali,
sentando ao lado do padre? Ela diz:
-Me
beija.
Digerindo
o que a mulher dizia, o sacerdote não compreendia o que se passava... Ela
retorna a dizer:
-Me
possua, faz o que queres de mim!
Compreendendo o que estava
se passando, o sacerdote mostra-lhe a cruz de seu peito e proclama:
-Foge daqui Satanás, inventor e mestre de todos os enganos.
Retrocede diante de Cristo!
Um sorriso
sarcástico deu lugar ao ocorrido, retornando ao estado inicial. A mulher já não
estava mais lá, deu lugar ao escuro, insegurança e desespero.Enfim chegaram na
casa do oleiro, ficava perto de um celeiro feito para guardar feno. A chuva,
enfim, cessara um pouco, o que podia se ver nos postes ao longe, era um leve
gotejar, misturado com o sereno da noite.
Entraram na
casa, o oleiro foi mostrando o caminho que dava ao quarto da menina.O padre
conferiu em seu relógio de bolso, eram duas e cinquenta e nove da manhã.Chegando
lá, deparou-se com uma sombra feita pela única vela acesa no cômodo, que estava
ao lado do leito. Era a mãe da menina, estava segurando um terço e usava um véu
negro sobre a cabeça. Há dias que não comia, oferecendo seus jejuns para o bem
da filha.Esta que não fechava mais os olhos para dormir, virou sua cabeça para
saber quem havia chegado, e grunhiu incomodada como por um raio de sol numa
manhã de domingo.
O padre,
perplexo imaginando o que lhe esperava, cumprimentou sua fiel, que há muitos
dias não a via na missa e pediu para sentar.Enfim, ali estavam, a menina que
não era tão menina, uma jovem de uns vinte anos, que, era ferozmente
atormentada por demônios. Para ter certeza do êxito do seu trabalho, o
sacerdote teve de alertar aos pais o que iria ocorrer, pois se tratava de um
assunto cauteloso,que faria cair em decadência a vida daquela família e a do
próprio sacerdote, caso chegasse nos ouvidos da Diocese. Todos concordaram em
manter total sigilo, para certificarem da segurança.
Aconteceu que, o
demônio alojado na menina, sentiu a presença do sacerdote muito antes dele
entrar na residência. Sabia que o padre tinha total poder e autoridade para
expulsá-lo, então, como é astuto, tentou livrar-se de seu inimigo naquele
instante.
-Três horas!
Foi o que
anunciou o padre.Sendo um horário muito simbólico, ainda mais no dia em que
estavam (Horário que os demônios usam para deturpar, profanar, danificar a
Trindade) o demônio, sabendo disso, decidiu ‘’dar as caras’’ por meio da
menina.
-Maldito seja
Deus! Maldito seja seu nome! Menina vagabunda! Ela é toda minha, ninguém me
tira dela! Essa eu devoro no precipício do inferno, nem as traças a consumirão,
pois ela foi destinada para mim!
Com a astúcia
divina, o padre já providencia um local para iniciar seu exorcismo. Pegou de
sua maleta tudo o que seria necessário para o momento, começou pela estola,
rosário, água benta e crucifixo na mão direita, livros de rituais na mão
esquerda. E borrifou umas gotas de água na moça. Como se estivesse numa
labareda, as gotas se dissolviam e tornavam-se vapor. Tentou mais uma vez para
que tocasse a pele da menina, em vão.
Ordenou que a
amarrassem nas beiradas da cama, para que, enfim, desse início ao exorcismo.
Percebendo que agora já dava para continuar, besuntou sua mão com água e traçou
na testa da possessa, uma enorme cruz que parecia ser traçada com fogo de tanto
que ardia e gritava. Foi um gesto recíproco, ao terminar o sinal da cruz, ela
fixa o olhar e cospe em sua face, afastando-se com um rosnar furioso.
O sacerdote
optou por começar a dizer algumas orações de exorcismo.Com voz potente e
autoritária, proclama:
-Eu, como
sacerdote, representante de Cristo, ordeno-te em nome da Santa Cruz, do Preciosíssimo
Sangue, das Cinco Chagas, da Virgem Imaculada, da Paixão, Morte e Ressurreição
de Cristo, de São Miguel, diga o seu nome.
Como uma
serpente rasteja na areia quente do deserto, assim estava a garota em seu
leito, que enfim, diz:
-Digas-me tu,
quem é você, maldito! Sacerdote, é? Acabei com vários! Assim como Jesabel!
Conheces? Vários discípulos meus fazem hoje, como Jesabel fez! Ah, tantos que
jazem em minhas mãos!
Um barulho de
serpente vibra o lugar.
-Pelas minhas
mão sacerdotais, pela Santíssima Virgem Maria, ordeno-te, quem és?
-Ah, Ela não!
Por que sempre meta Ela onde não deve? Já não basta ser mãe de Jesus, acabando
com nossos planos de perdição da humanidade, agora vem até aqui nos estorvar?
Chega! Ela não! Não há criatura que eu odeie mais! Se um dia, for destruído,
que seja pela mão de Deus e não por uma humana coitada! Maldita seja! Nem
xingá-la eu posso! Devo reverência, louvor e respeito total, pois é por culpa
dela que essa pandilha e eu caímos! Se vocês soubessem o amor que ela tem por
vocês, viveriam todos ajoelhados rezando aquelas bostinhas de cabrito que vocês
pulam... QUE NOJO! Amor! Damn caritate! Ela por inteiro, é
um terror a nós!
-Ordeno-te, em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo! Diga quem és e quantos são!
-MALDITO
ESPÍRITO SANTO! Somos a quantidade de filhos que ela abortou!
A mãe, ilumina a
situação percebendo a frustração do sacerdote:
-Ela já foi
casada, engravidou várias vezes, mas perdeu todos! O marido, faleceu a algum
tempo em um acidente.
-E quantos
filhos ela teve?
Com a dúvida
pairando no ar, a moça começa a se debater na parede, ainda presa na cama. O
padre, a segura pelos braços e vê, sob o seu pijama, sangramentos vindos do
braço direito da menina. Ao puxar para ver o que acontecia, percebeu que
apareciam em seu braço, vários números em seu corpo. A menina estava sendo
mutilada como que por navalhas, o número 3. E um grande grito, confirma:
-SOMOS TRÊS!
-Diga, em nome
de Deus, quem são?
-Sou eu quem te
falo agora, uma das bruxas de Salém! E eu te revelo e declaro, maldito; foi eu
quem te pediu um beijo na carruagem vindo para cá e você desprezou. Malditos
serão todos os seus dias, pois ninguém me rejeita! E foi eu também que foi a
causadora pela morte dessas crianças...
Ao perceberem, a
moça já havia se rompido das amarras e jazia, quase morta, no chão de seu
quarto. O padre, perdido com tantos acontecimentos, vai em socorro da jovem. Ao
chegar perto, o ventre da possessa, infla como
se fosse ar. Pés e mãos agitadas de crianças dá para se ver por fora da
barriga. Nesse instante, a Bruxa de Salém fez com que a jovem viúva chorasse
todos os choros de seus filhinhos, um por vez. Segurando na estola do
sacerdote, diz:
-Me estupra.
Um alarmante e
sarcástico riso de bruxa consome seus ouvidos. O sacerdote, guiado pelo crucifixo,
reza:
- Crux sacra
sit mihi lux, non draco sit mihi dux ,vade retro sátana nunquam suade mihi vana , sunt
mala quae libas, ipse venena bibas!
A
menina tossia muito, parecendo estar com ância.Percebendo, o padre ordena ao
demônio que pusesse para fora todo tipo
de depravação, para que a moça ficasse liberta. Ao proclamar, ela vomita um
líquido negro, parecendo piche, quando tocado no chão, tornavam-se pregos
enormes e pontiagudos, agulhas finas e sinistras usadas pela própria bruxa em
seus rituais de magia negra.Gemendo e urrando de dor, exclama:
-MEDEIA!
A jovem acabava
de se libertar da bruxa de Salém.Agora, faltavam dois! O padre questiona:
-Qual é o seu
nome?
-Ela não irá
dormir nunca mais! Se fechar os olhos, eu a arranco pedaços com meus dentes!
Ela só irá repousar em meus braços no inferno! ELA É MINHA! Sou eu quem a
belisco para que ela não durma! Insônia é o meu nome...
-Diga seu nome,
espírito imundo! Retornarás ao nicho de víboras de onde viestes! Eu te ordeno,
diz
a verdade e só a verdade, em nome da Santíssima Trindade, da Santíssima Virgem
Maria da Imaculada Conceição, fale seu nome pelo
poder do Santo Rosário!
-NÃO! O Rosário
não! Detesto isso! Para que rezar? Chega! Fica acordado comigo! Ela nem liga
para você mesmo! Essa a quem vocês chamam de Santa, coitada! Não é nada perante
mim!
- Cale-se, cão
maldito! Sabes muito bem que uma Ave-Maria proferida dos lábios da Santíssima
Virgem, é mais potente que todas as orações dos Anjos e Santos unidas em uma
só! Rogo pela intercessão de Maria Santíssima neste momento, que sua presença
esteja aqui, que seja a própria Senhora rezando em mim: Ave-Maria, cheia de
graça...
-MALDITO!
IMBECÍL! CHEGA!
-Santa Maria,
mãe de Deus...
Enquanto o
sacerdote rezava, uma luz inundou aquele quarto. Uma presença que trazia a paz
pousou ali. Uma não, duas! Era Miguel e a Santíssima Virgem, esperando o
momento certo para dizimar satanás.
- ... Agora e na
hora de nossa morte, amém! Diga seu nome!
-AMICOL!
-Ordeno-te
Amicol, voltes para onde veio e que lá fiques! Seja arrastado pelo rosário da
Virgem Maria às profundezas do Inferno, onde nunca deverias ter saído. Faltou
um... Ordeno-te, como fiz com Medeia e Amicol, digas quem é!
Um mortífero
silêncio invadiu aquela casa, juntamente com uma escuridão nefasta. Apenas dois
olhos flamejantes como tochas são capazes de ver no breu, quando ouvem:
-SOU LÚCIFER, O
DIABO DO ORGULHO!
-ORDENO-TE,
ARCANJO MIGUEL, VAI E TRAVE COMBATE COM O REI DOS DEMÔNIOS! Expulsa e
envergonhe satanás juntamente com todo o inferno! Enviai fileiras de Anjos e
Arcanjos, mostre que não há ninguém como Deus! Retorne a mandá-lo para o
inferno, lá é o lugar que merece!
Outra vez, uma
luz incendiou a casa. Tudo ficou branco, nada se via ou ouvia. A paz reinava
neste lugar. A única certeza que o padre teve de ser verídica aquela guerra
espiritual, foi quando ouviu a espada de Miguel perfurar a Primitiva Serpente e
uma pequena lâmina, lascou e caiu onde eles estavam de início. Ao entrar em
contato com o plano terrestre, ouvia-se os quatro ventos, raios e tempestades,
os oceanos se agitaram, terremotos, vulcões e tsunamis proclamavam a dor que
tamanha arma propusera.Apenas se ouviu:
-LÚCIFER!
-Esconjuro-vos,
todo espírito impuro, todo poder satânico, cada incursão do adversário
infernal, cada legião, toda congregação e seita diabólica. Portanto, maldito
dragão e legião diabólica, eu vos ordeno, deixem de enganar as criaturas
humanas. Vá embora satanás, inventor e mestre de toda mentira, inimigo da
salvação do homem.Humilha-te perante a poderosa mão de Deus, treme e foge
quando invocarmos o nome do Santo dos Santos, quando ouvido, trema os infernos.
Livrai-nos do inimigo, isso vos pedimos, livrai-nos, Senhor.Para que a tua
Igreja possa servir-te em paz e liberdade, livrai-nos, Senhor.
O sacerdote
desmaia de tanto esgotamento, mas conseguiu com êxito, acabar com o ritual de
exorcismo. Acordou com uma luz incomparável e alguém com asas esbofeteando sua
face, dizendo:
-Calme, sou
Miguel. Agora, vais depressa! A missa das seis da manhã está para começar,
rápido!
Olhando em
volta, ainda perplexo com o que havia acontecido na noite anterior, percebe que
está na sua igrejinha e sim, estava quase para começar a Santa Missa, já tendo
alguns fiéis na porta esperando que fosses recebidos. Entre os fiéis, estava
também a família do oleiro. Com os olhares de gratificação, que inundaram o
coração do padre de alegria. Terminando a missa, Lucia, a jovem liberta,
entrega nas mãos do padre uma pequena espada de ferro:
-Tome, esqueceu
isso em casa. Saiu tão apressado ontem, nem deu tempo de agradecer... Como é
pesada, não é? Tão pequena e tão potente! Dá a impressão que ganhou do próprio
Arcanjo Miguel! Vai entender, coisas de padre...
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